sexta-feira, 7 de agosto de 2009

JORNADA UNIFICADA NACIONAL DE LUTAS

A CUT CONVOCA:

TODOS JUNTOS NA JORNADA UNIFICADA NACIONAL DE LUTAS

Dia 14/08/2009, a partir das 10h, na Candelária (concentração)

e passeata até a passarela entre a Petrobrás e o BNDES.

Trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade unidos contra a crise e as demissões ocuparão ruas, praças e avenidas no próximo dia 14 de agosto.

Nós, a CUT, as centrais sindicais e os movimentos sociais estamos convocando todos(as) dirigentes de nossas entidades filiadas, nossa militância e a população em geral para a luta contra as demissões, por emprego e melhores salários, pela manutenção e ampliação dos direitos, pela redução das taxas de juros, redução da jornada de trabalho sem redução de salários, pelas reformas agrária e urbana e em defesa dos investimentos em políticas sociais.

Não à ação oportunista de grandes empresas

No Brasil, a ação nefasta e oportunista das multinacionais do setor produtivo e de empresas como a Vale, CSN e Embraer levou à demissão de centenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras.

O governo federal que injetou bilhões de reais na economia para salvar as montadoras e as empresas de eletrodomésticos (linha branca), entre outras, tem o direito de exigir a garantia de emprego para a classe trabalhadora como contrapartida à ajuda concedida.

O povo não é culpado pela crise. Ela é resultado de um sistema que entra em crise periodicamente e transforma o planeta em imensa ciranda financeira, com regras ditadas pelo mercado. Diante do fracasso desta lógica excludente, querem que a classe trabalhadora pague pela crise. Não pagaremos !!!


Todos juntos em defesa destas bandeiras:

aNão às demissões
aEm defesa da Petrobrás e das riquezas do pré-sal
aPela ratificação das Convenções 151 e 158 da OIT
aRedução dos juros
aFim do superávit primário
aRedução da jornada de trabalho sem redução de salários
aReforma agrária e urbana
aFim do fator previdenciário
aPor saúde, educação e moradia
aPela continuidade da política de valorização do salário mínimo.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A Esquerda: Por que ainda somos diferentes

Apoiado no fim do "socialismo real" e em certo desencanto com o governo do PT, o pensamento conservador alardeia o fim das fronteiras entre esquerda e direita. E no entanto, elas ressurgem em toda parte: por exemplo, na resistência ao Bolsa Família, às cotas nas universidades e à ação do MST


Existem duas obras paradigmáticas à reflexão sobre a díade esquerda-direita, ambas publicadas em 1994: Direita e esquerda — razões e significados de uma distinção política, de Norberto Bobbio e Para além da esquerda e da direita, de Anthony Giddens. Os dois autores, cada qual à sua maneira, buscavam refletir sobre os rumos a serem tomados pelos órfãos do socialismo que, no imediato pós-Guerra Fria, estavam epistemologicamente enlutados pelo que percebiam ser o fim de suas utopias mais caras, ainda sob o impacto do mundialmente famoso artigo de Francis Fukuyama – "O fim da história e o último homem", de 1992. Bobbio defendia a legitimidade da díade esquerda-direita para analisar e entender o cenário político atual. Já Giddens acreditava que o mundo mudou radicalmente e que, por isso, os conceitos de esquerda e direita são anacrônicos. Fukuyama, por fim, dizia acreditar que a humanidade chegara ao seu estágio máximo de evolução com a universalização da democracia liberal ocidental.

Uma obra menos conhecida entre os brasileiros, até mesmo porque não foi traduzida para o português, é La Droite et la Gauche – Qu’est-ce qui les distingue encore? [A Direita e a Esquerda - O que ainda as distingue], de Claude Imbert, diretor de redação da revista Le Point e Jacques Juliard, articulista da revista francesa Nouvel Observateur. O livro, de 1995, é construído na forma de um diálogo respeitoso e construtivo entre dois amigos. Imbert representa o pensamento “de direita” e Julliard o pensamento “de esquerda”. Nessa obra, os autores apresentam um panorama crítico e intelectualmente impecável do que vem a ser a direita e a esquerda num mundo onde a clivagem ideológica bipolar não mais existe.

Podemos pensar que algumas bandeiras da esquerda tradicional sejam anacrônicas para a maioria dos países do "primeiro mundo", que já possuem redes de proteção social e uma política sólida de distribuição de renda, duramente conquistadas no período pós-Segunda Guerra.

Contudo, vemos na França de hoje uma repetição de discursos que nos são velhos conhecidos, enunciados pelo atual presidente Nicolas Sarkozy, acerca da ineficiência do Estado e da conseqüente necessidade de sua “modernização”. Se Madame Tatcher e Fernando Collor de Mello não estivessem vivos e gozando de boa saúde, era de se imaginar que estivessem encarnados no presidente francês. Ele busca, tardiamente, colocar a França nas regras ultrapassadas do Consenso de Washington, subtraindo da nação francesa um papel mais efetivo que pode, e deve, ter na discussão de alternativas ao modelo hegemônico da atualidade. Atlético, “jovem” e dinâmico, Sarkozy tenta passar a imagem do reformador valendo-se de estratégias discursivas perlocutórias, no intuito de induzir os cidadãos a concordar com a velha novidade de mudanças que visam agradar o sistema financeiro internacional.

Lula versus Chávez? Quem vê a esquerda sul-americana dividida "esquece" que a região não é homogênea

Na América Latina, por outro lado, os líderes de esquerda mais expressivos do momento, Evo Morales e Hugo Chavez, efetuam o retorno a um discurso castrista que, na visão de muitos analistas, é um anacronismo impensável dentro de padrões contemporâneos. Mas de qual contemporaneidade estamos falando? Um capitalismo predatório só pode ser amenizado com uma esquerda mais incisiva. Talvez estejamos assistindo, em tempo real, um conjunto de situações históricas de um passado que insiste em se fazer presente. Posto que a situação sócio-política da América Latina difere, e muito, daquela dos países desenvolvidos, podemos perguntar aos críticos de Chavez e Morales se conhecem as bases absurdamente arcaicas que o capitalismo ainda possui nesses países e o trabalho que seus chefes de Estado vêm fazendo no sentido de resgatar sua soberania, o poder sobre seus recursos naturais e sua dignidade no cenário internacional.

A propósito dessas diferenças, em um badalado artigo publicado na Foreing Affairs, em 2006, Jorge Castañeda se propôs a explicar ao público leitor de língua inglesa que existem duas esquerdas na América Latina – uma moderna e outra populista. O primeiro grupo teria em Lula e na presidente chilena Michelle Bachelet seus principais representantes; o segundo, seria encabeçado por Chávez e Morales. O que talvez tenha escapado à compreensão de Castañeda é que o Brasil e o Chile são países mais modernos e desenvolvidos do que o são a Venezuela e a Bolívia. Portanto, é de se esperar que nos dois primeiros a esquerda tenha modernizado seu discurso e sua plataforma. Já na Bolívia, o país mais pobre da América do Sul, e na Venezuela, que vive quase que exclusivamente de renda de petróleo, o suposto populismo do qual seus governantes são constantemente acusados talvez seja uma resposta ao populismo fundamentalista de mercado que varreu a América Latina no período crítico da globalização e que piorou significativamente os índices sociais dos países mais vulneráveis ou mais adesistas às novas orientações — como a Argentina, por exemplo.

Falando especificamente da realidade brasileira, após a ascensão do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder, as forças de esquerda passaram por uma séria crise de identidade, quase como um processo de luto da utopia perdida. Aquilo que esperavam do primeiro governo de esquerda brasileiro não se concretizou — ou seja, um reforma estrutural profunda em relação às regras rígidas do neoliberalismo mundial. Não foram poucos os intelectuais que se alternaram em posições ora extremamente críticas, ora extremamente lenientes, na avaliação do governo Lula, principalmente nos eventos recentes. Se levarmos em conta as opiniões dominantes na grande mídia, o Brasil enfim teria descoberto a corrupção, o clientelismo e outras práticas supostamente nascidas com o governo petista — malgrado os quinhentos anos de “cultura da cordialidade” que parecem ter sido esquecidos pelos neo-oposicionistas do momento.

No Brasil, cotas nas universidades e Bolsa-Família despertam o elitismo arraigado entre as elites


No Brasil contemporâneo, a díade esquerda/direita adquire caracteres bem mais amplos e sutis do que a possibilidade de uma mudança radical de um modo de produção capitalista para uma economia socialista. Existem componentes periféricos que não podem ser negligenciados nesse debate. Cabe à esquerda ficar alerta às tentativas de distorção e neutralização de seu conteúdo programático, que freqüentemente chegam disfarçadas em cientificismos, pseudo-humanismos e uma gama infinita de argumentos retóricos e assustadoramente tributários do senso comum. Ao reconhecermos as diferenças entre os sistemas econômicos de exclusão dos países latino-americanos, estendemos o nosso olhar à necessidade imperiosa de ações que revejam o legado capitalista em nossa história.

Elas se dão na forma de algumas proposições políticas atuais que enfrentam um alto grau de reação por parte da mídia e da inteligentsia brasileira. Convidam a perguntar o que nos faz atores políticos de esquerda em um país como o Brasil, que não empreende medidas rupturais profundas em relação ao seu modelo econômico — e possui sérias limitações internacionais de atuação?

Pensamos que o posicionamento de um cidadão frente a cotas nas universidades públicas, programa Bolsa Família e reforma agrária é um bom indicativo de suas posições políticas: se são de esquerda, ou de direita. Acreditamos que o engajamento de esquerda no Brasil passa (não exclusivamente, mas necessariamente) pelo posicionamento favorável a essas políticas. Ser a favor, nem sempre significa ser 100% a favor. Não esperamos que alguém seja ingênuo para pensar que a política de cotas, o programa Bolsa Família (PBF) e a atuação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em prol da reforma agrária não sejam passíveis de críticas. Mas essas não podem paralisar um debate maior sobre a brutal desigualdade social brasileira.

A atual política de cotas envolve importantes mudanças políticas rumo à redução de desigualdades históricas. Isso não significa que as cotas irão apagar, como num passe de mágica, os séculos de exploração e injustiças praticadas contra os afro-descendentes brasileiros. Mas representam, sim, um avanço importantíssimo que provoca reações incríveis por parte daqueles que compõem a nossa direita.
Os Diogos Mainardis, alimentos permanentes ao preconceito contra a modesta redistribuição de riqueza

Recorre-se ao conceito de meritocracia para negar a validade da política de cotas. Ora, desde quando a meritocracia reina neste país? Se respondermos positivamente a essa pergunta, seremos forçosamente conduzidos a uma conclusão evidente de que pobres e negros estão na situação vulnerável em que se encontram por sua própria culpa, e que nossas elites trabalharam duro para chegar onde estão – no topo da pirâmide de um país com um dos piores níveis de distribuição de renda do mundo.

Assistimos, espantados, as mais sofisticadas descobertas científicas que revelam a forte carga genética européia contida em nossos negros, que não seriam tão negros quanto pensam e, logo, a política de cotas seria uma fraude. Outros alegam, alarmados, a introdução oficial do racismo no Brasil, a incitação ao ódio inter-racial e outras pérolas. Elas denunciam um mal-estar significativo frente à hipótese de um negro sentar-se ao lado daqueles que julgam ocupar o lugar de núcleo pensante de nossas universidades públicas por conta, única e exclusivamente, de seus méritos.

E a situação poderia ficar pior, caso nossos negros, além de tudo, queiram dar uma outra interpretação à nossa história: não aquela positivista, heróica e branca, em um país cuja dívida com índios, negros, pardos e mulatos ainda precisa ser paga.
Outro argumento contrário à política de cotas baseia-se no entendimento de que deveríamos melhorar a educação de base, para que egressos de escolas públicas e privadas estivessem em nível de igualdade ao fim do Ensino Médio. Certamente essa é uma ótima idéia, mas quantas décadas, ou mesmo séculos, precisaríamos esperar para que pudéssemos presenciar os resultados dessa medida? Esse tipo de proposta parece um típico discurso brasileiro utilizado quando se quer deixar as coisas como estão: alegar a necessidade de algo mais profundo quando se tem a urgência de algo imediato. O resultado final é que, geralmente, nada é feito.

Outro passo coerente é o posicionamento em relação ao Programa Bolsa Família (PBF), que efetua uma transferência direta em favor das famílias em situação de pobreza (com renda mensal por pessoa de R$ 60,01 a R$ 120,00) e extrema pobreza (com renda mensal por pessoa de até R$ 60,00), de acordo com a Lei 10.836, de 9 de janeiro de 2004 e o Decreto nº 5.749, de 11 de abril de 2006. Novamente, nesse caso, assistimos à santa à santa indignação daqueles que afirmam que o ideal seria um programa de geração de empregos. Para eles, o PBF é esmola e estimula a vadiagem de quem, ao invés de produzir, contenta-se com o dinheiro “fácil” recebido mensalmente.

Em um país que ocupa uma posição vergonhosa em termos de distribuição de renda — o décimo mais desigual do mundo — não deveria uma solução dessas ser aplaudida como algo que visa reduzir minimamente a nossa brutal desigualdade, em um arremedo de estado de bem-estar social que nunca tivemos, já que pela percepção da facção radical de nossos representantes liberais, pobre só é pobre porque é vagabundo? Para entender como se processa essa apreensão tão rasteira da realidade, temos as colunas do caricato Diogo Mainardi e seus seguidores, que fornecem dados semanais à ignorância e ao preconceito de nossos conservadores anônimos, ou nem tanto.

Resgate da dignidade dos mais pobres: o que a mídia faz questão de esconder sobre o MST

O Bolsa Família restitui a dignidade de muitas famílias que são beneficiadas pelo programa. Sim, mas existem distorções, dirão alguns, “tem gente que está trabalhando e ainda assim está inscrito no PBF, recebendo regularmente o benefício”. Logo, o programa deve ser extinto. Dentro dessa linha de raciocínio, deveríamos extinguir também o INSS, o SUS, quem sabe até o Congresso Nacional, e todas as instituições passíveis de corrupção nesse país e deixar o incorruptível e isento mercado dar o rumo às nossas vidas – embora os liberais mais esclarecidos já não compactuem com semelhante discurso.

Não ignoramos a urgência de medidas que visem a resolução estrutural de problemas nacionais e que tornariam desnecessário o Bolsa Família, tais como a redução nas taxas de juros, a criação de novos postos de trabalho com o incentivo ao capital produtivo entre outras medidas de médio e longo prazo. Contudo, não são excludentes à aceitação do PBF como uma medida eficaz de redução da desigualdade em curto prazo.
E, finalmente, a reforma agrária e sua expressão maior no país: o MST, que, para alguns (de esquerda), simboliza a luta pela justiça no campo, e para outros (de direita), são os Talibãs tupiniquins, inimigos do agro-business, ameaças à sacra propriedade privada e aos latifúndios formados “meritoriamente” no decorrer de nossa história.

O MST é internacionalmente conhecido e respeitado como o maior e mais organizado movimento pela reforma agrária do mundo. Mas aqui, os sem-terra são demonizados pela grande mídia, que se concentra tão somente no fato de haver ocupações de terra, cuja violência é sempre parte da reação dos fazendeiros na proteção de seus direitos sagrados à terra de que o próprio Deus parece ter-lhes passado a escritura.

Jamais se mostra, em qualquer mídia, o trabalho social engendrado pelo movimento, que ajuda pessoas em estado de miserabilidade total, alcoolistas e candidatos ao lumpensinato, rumo ao pertencimento a um grupo e ao compartilhamento do sonho de uma vida mais digna.

Não se está negando que o MST cometa alguns excessos e que possui falhas – são suficientemente denunciados casos de famílias que ganham terra, vendem e voltam de novo para a fila. Mas como esperar, em um país onde todas as instituições de Estado são falhas, que um movimento social seja perfeito? Nossa situação agrária é herdeira do passado colonial desse país. Nossos latifúndios prosperaram durante séculos com a mão de obra de escravos que foram jogados à margem da sociedade quando da mudança para a mão de obra assalariada e européia (não é difícil perceber a relação entre a luta pela reforma agrária e as políticas de cotas ...).

A essa situação agrária retrógrada e concentradora de renda e a esses latifúndios cuja construção histórica passou longe de qualquer meritocracia, o MST é uma justa resposta. Vem exercendo uma resistência pacífica contra a injusta distribuição de terras, denunciando ao Brasil e ao mundo há décadas que somos um país vergonhosamente desigual.

A díade esquerda/direita está mais viva do que nunca, ainda que exista um imenso esforço rumo a um consenso centrista radical que nega a validade de posicionamentos mais assertivos. Michel Foucault afirmava que “onde há poder, há resistência”. Quanto mais vertical e impermeável se apresenta esse poder, mais se necessitam ações que não obstruam um tensionamento político necessário para que os dados continuem rolando, sob pena de cair no totalitarismo em suas múltiplas formas.

Direitos não são concessões, são conquistas. Talvez atores políticos como Hugo Chavez e Evo Morales e programas de cotas, PBF e reforma agrária nos termos propostos pelo MST não sejam indicados no Canadá, Noruega, Inglaterra e outros países onde o capitalismo se mostra mais domesticado e reformado. Mas dentro da realidade brasileira e latino-americana, essas ações sustentadas pela esquerda e pela maioria de seus apoiadores tornam-se uma real esperança de superação de desigualdades. Para que sejam dispensáveis no futuro, são atualmente imprescindíveis.

PT sempre 13!
Trabalho,Terra e LiberdadePT sempre 13!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

FHC- O neoliberal que quer estar na moda.


Os reconhecimentos a FHC


Que cada um expresse aqui o reconhecimento que FHC pede.


Felizmente para a oposição, FHC não se contêm, não consegue recolher-se ao fim de carreira intelectual e política melancólicos que ele merece. E cada vez que fala, o apoio ao governo e a Lula aumentam.

Agora reaparece para reclamar que não se lhe dá os reconhecimentos que ele julga merecer. Carente de apoio popular, ele vai receber aqui os reconhecimentos que conquistou.

Em primeiro lugar, o reconhecimento das elites dominantes brasileiras por ter usado sua imagem para implementar o neoliberalismo no Brasil. Por ter afirmado que ia “virar a página do getulismo”. Por ter, do alto da sua suposta sapiência, dito a milhões de brasileiros que eles são “inimpregáveis” , que ele assim não governava para eles, que não tinham lugar no país que o tinha elegido e para quem ele governava.

O reconhecimento por ter dito que “A globalização é o novo Renascimento da humanidade”, embasbacado, deslumbrado com o neoliberalismo.

O reconhecimento por ter quebrado o país por três vezes, elevado a taxa de juros a 48%, assinado cartas de intenção com o FMI, que consolidaram a subordinação do Brasil ao capital financeiro internacional.

O reconhecimento dos EUA por ter feito o Brasil ser completado subordinado às políticas de Washington, por ter preparado o caminho para a Alca, para o grande Tratado de Livre Comércio, que queria reduzir o continente a um imenso shopping Center.

O reconhecimento a FHC por ter promovido a mais prolongada recessão que o Brasil enfrentou.

O reconhecimento a FHC por ter desmontado o Estado brasileiro, tanto quanto ele pôde. Privatizou tudo o que pôde. Entregou para os grandes capitais privados a Vale do Rio Doce e outros grandes patrimônios do povo brasileiro. Por isso ele é adorado pelas elites antinacionais, por isso montaram uma fundação para ele exercer seu narcisismo, nos jardins de São Paulo, chiquérrimo, com o dinheiro que puderam ganhar das negociatas propiciadas pelo governo FHC.

FHC será sempre reconhecido pelo povo brasileiro, que tem nele a melhor expressão do anti-Brasil, de tudo o que o povo detesta, ele serve para que se tome consciência clara do que o povo não quer, do que o Brasil não deve ser.

Emir Sader

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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Bifurcação da Humanidade

Nos inícios do ano os vinte paises mais ricos do mundo (G-20) se reuniram em Londres para encontrar saidas à crise econômico-financeira mundial. A decisão de base foi continuar no mesmo caminho anterior à crise mas com controles e regulações a partir de uma presença maior do Estado na economia. Os controles seriam pelo tempo necessário à superação da crise, a fim de evitar o colapso global e as regulações para restaurar o crescimento e a prosperidade com a mesma lógica que vigorou antes.

Esta opção implica continuar com a exploração dos recursos naturais que devastam os ecossistemas e fazem aumentar o aquecimento global e o fosso social entre ricos e pobres. Se isso prosperar dentro de pouco enfrentaremos crise da mesma natureza, pois as causas não foram eliminadas. Acresce ainda o fato de que os restantes 172 paises (ao todo são 192) sequer foram ouvidos e consultados. Pensou-se em ajudá-las mas com migalhas. Efetivamente, toda a Africa, o continente mais vulnerável, seria socorrida com menos fundos que o governo dos EUA aplicou para salvar a General Motor.

O impacto perverso da crise sobre os paises de baixo ingresso apresenta-se aterrador. Estima-se que, enquanto durar a crise, mais de 100 milhões de pessoas caiam cada ano na extrema pobreza e um milhão de postos de trabalho se perderão por mes. Tal fato fez com que o Presidente da ONU, Miguel d’Escoto Brokmann, imbuido de alto sentido humanitário e ético, convocasse uma reunião de alto nivel que reunisse os 192 representantes dos povos para juntos discutirem entre si a crise e buscarem soluções includentes. Isso ocorreu nos dias 24-26 de junho do corrente ano nos espaços da ONU. Todos falaram. Era impactante ouvir o clamor que vinha das entranhas da Humanidade: os ricos lamentando os trilhões em perdas de seus negócios e os pobres denunciando o aumento da miséria de seu povo.

Muitas vozes soaram claras: não bastam controles e regulações que acabam beneficiando os que provocaram a crise. Faz-se urgente um novo paradigma que redefina a relação para com a natureza com seus recursos escassos, o propósito do crescimento e o tipo de civilização planetária que queremos. Importa elaborar uma Declaração do Bem Comum da Humanidade e da Terra que oriente etica e espiritualmente o sentido da vida neste pequeno planeta.

Depois de um intenso trabalho previamente feito por uma comissão da expertos, presidida pelo Nobel de economia Joseph Stiglitz e com as colaborações vindas de quatro mesas redondas e da Assembléia Geral concertou-se um documento detalhado que ganhou o consenso dos 192 represenantes dos povos. O perigo coletivo facilitou uma convergência coletiva, uma raridade na história da ONU.

O documento prevê medidas imeditas especialmente para salvar os mais vulneráveis sob coordenação de várias instituições internacionais, articuladas entre si. Mas o mais importante é a apresentação de um programa de reformas sistêmicas que prevê um sistema mundial de reservas com direitos especiais de giro, reformas de gestão do FMI e do Banco Mundial, regulações internacionais dos mercados financeiros e do comércio de derivados e principalmente a criação de um Conselho de Coordenação Econômica Mundial equivalente ao Conselho de Segurança. Desta forma se presume garantir um desenvolvimento estável e sustentável.

O fato desta cúpula mundial é gerador de esperança, pois a humanidade começa a olhar para si como um todo e com um destino comum. Mas todas as soluções se orientam ainda sob o signdo do desenvolvimento, o fator principal gerador da crise do sistema-Terra. Ele tem que ser trocado por um “modo sustentado geral de viver”, caso contrário assistiremos à bifurcação da humanidade, entre os que desfrutam do desenvolvimento e os que são vítimas dele. Não chegamos ainda ao novo paradigma de convivência Terra-Humanidade, forjador de uma nova esperança.

O próximo futuro, dizia o Presidente da Assembléia, será pela utopia necessária que precisamos constuir para permanecermos juntos na mesma Casa Comum.

Leonardo Boff é do corpo de assessores do Presidente da Assembléia da ONU e com este título participou dos trabalhos ai realizados.
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habitação e a regulação dos pobres no Rio de Janeiro:Choque de ordem” ou “choque de cidadania”?

A questão da habitação e a regulação dos pobres no Rio de Janeiro:
“Choque de ordem” ou “choque de cidadania”?

A luta dos trabalhadores pobres por moradia digna está chegando a um momento crucial. Este momento é crucial também para os setores dos governos Municipal, Estadual e Federal ligados à esquerda, em geral, e ao PT, em particular. Urge perguntar: a “esquerda de governo” tem políticas públicas para os trabalhadores pobres da metrópole ou pensa apenas nos interesses das grandes empresas?
Há dezenas de ocupações no Centro da cidade do Rio de Janeiro.

Os ocupantes são conjuntos de famílias de trabalhadores informais (muitas de camelôs) que conseguem auferir uma renda trabalhando no Centro da cidade – onde colocam seus filhos para estudar – e não têm nenhuma proteção social.
Diante dessa situação inadmissível e, apesar de tudo o que se fala sobre formalização, proteção aos informais e recuperação da dimensão urbana do Centro da Cidade, as diferentes instâncias de governo (Município, Estado e União) se mostram completamente indigentes: não há nenhuma política pública que reconheça, em geral, o direito constitucional à moradia e, em particular, o direito à moradia dos trabalhadores pobres do Centro da cidade. Se existem alguns bons propósitos, como o projeto de recuperação de alguns prédios públicos para habitação, estes estão longe de acompanhar o ritmo das lutas e das ocupações.

O poder aparece diante dos pobres como um aparelho de proteção dos interesses da propriedade privada, inclusive quando ela é pública na realidade, como no caso de prédios abandonados às baratas por grandes administrações estatais. Pior, as decisões da Justiça só são acatadas e executadas pelos governos com lisura (e truculência!) quando são favoráveis aos proprietários. Quando, inversamente, são favoráveis aos movimentos dos pobres, elas são esvaziadas pela burocracia de sempre: enquanto a decisão da Justiça que obriga o Estado e a Prefeitura a pagar um aluguel social aos moradores despejados de uma ocupação precisa de 3 meses para ser acatada (e, ainda assim, apenas parcialmente) , a decisão de despejo dos moradores do prédio do INSS da Av. Mem de Sá nº 134 foi executada em apenas três dias (no dia 26 de junho de 2009).

Esse episódio recente – violento e sem nenhuma mediação por parte dos chamados “poderes públicos” – é extremamente emblemático! As 30 famílias que ocupavam o prédio despejado – dentre as quais havia 35 crianças (tendo uma nascido na rua há pouco mais de uma semana) – foram desabrigadas de outra ocupação por causa de um incêndio. Neste caso, a Justiça interditou o prédio, mas determinou também que o Município auxiliasse os sem-teto na mudança dos pertences. No entanto, a Prefeitura mandou um caminhão de lixo da COMLURB para fazer a mudança! Assim, os sem-teto se recusaram a usar o caminhão de lixo e só saíram quando foi enviado um caminhão fechado pertencente à Defesa Civil.

Restam dois fatos políticos gravíssimos:
- os pobres são tratados como lixo !
- não há política voltada para eles !
Resultado: os acampados da Av. Gomes Freire continuaram com seu movimento e mostraram sua capacidade de luta ocupando um prédio (abandonado) do INSS na Av. Mem de Sá.

A pauta política imposta pela grande mídia conservadora sobre o “choque de ordem” se traduz politicamente na própria falta de políticas!
Quais são as políticas da Secretaria de Assistência Social do Estado, da Secretaria Municipal de Habitação e do Ministério da Previdência ?
O caso é particularmente grave: o governo municipal nos mostra uma visão incrivelmente pobre da questão da cidade, da moradia e dos pobres! Os avanços anunciados em termos de regularização fundiária e urbanística nas favelas não podem ficar separados de uma articulação com uma política integrada da cidade que reconheça concretamente o direito à moradia dos trabalhadores pobres do Centro da Cidade. Tudo o que se oferece é o programa federal “Minha Casa, Minha Vida” ou então, o abrigo. Ora, naturalmente, as famílias de trabalhadores que hoje estão na rua não podem esperar a execução (demorada) do programa federal de habitação e o abrigo não é moradia: ele implica em um sistema de restrições infindáveis e o esvaziamento do caráter imediato da luta por moradia.

Escandalosamente, a Secretaria Municipal de Habitação não propõe nada e dá a entender que o movimento das ocupações não é bem vindo nem bem quisto; quase como se fosse um lobby em busca de alguma benesse ou privilégio.
O movimento não é lobby, mas a base da construção da democracia e da cidadania!

Os trabalhadores pobres do Centro do Rio de Janeiro precisam de proteção social: é preciso RESOLVER JÁ A QUESTÃO DA MORADIA E NEGOCIAR COM AS OCUPAÇÕES: dito isto, é preciso implementar imediatamente um programa de titulação jurídica, de assistência técnica gratuita e de adequação dos prédios para fins de moradia. É um escândalo que ainda não se tenha implementado um projeto de regularização da documentação da grande multidão de ocupantes (sem certidões e documentos!) que permitam seu cadastramento no programa Bolsa Família..

A informalidade não é mais a sobra residual de uma taxa de crescimento econômico insuficiente. Ao contrário, o próprio crescimento gera e multiplica a precariedade do emprego. A informalidade mistura assim as mazelas do subdesenvolvimento com aquelas da modernização e as novas formas de precariedade do trabalho, sobretudo em âmbito metropolitano. Não por acaso, entre os ocupantes e os manifestantes que participam do movimento dos sem-teto há estudantes universitários: não se trata de solidariedade ideológica, mas de uma nova composição do trabalho que nossos secretários e ministros poderiam começar a enxergar, se não quiserem abrir o caminho àquele declínio da esquerda cujas modalidades e resultados podemos facilmente observar em vários países europeus.
Diante disso, o “combate à informalidade” apresenta-se aberto a uma grande alternativa:
- por um lado, aquele pautado pela elite, faz do “choque de ordem” uma linha repressiva permanente, sem fim: a repressão aos pobres se torna uma política que preenche o vazio da própria ausência de política, quer dizer, de governos que não tem projeto nenhum que não seja aquele de ... governar!
- por outro, aquele pautado por uma política progressista de mobilização democrática que reconhece a dimensão produtiva dos direitos, a começar pela moradia! Oferecer aos trabalhadores pobres uma moradia digna, acessível e próxima do local de trabalho é um passo essencial na construção de uma rede de proteção social adequada a esse novo tipo de trabalho e na reconstrução da política democrática, do trabalho da democracia e dos direitos.

Como podem os responsáveis pelos cargos de governo que dependem da mobilização dos pobres ignorar os movimentos? Como pode o Ministro da Previdência ignorar os pedidos de socorro daqueles que não tem previdência nenhuma ?
É preciso perguntar se as diferentes instâncias de governo só pensam em entregar mais dinheiro para as grandes empresas através da multiplicação das renúncias fiscais ou se sabem – ao contrário – tirar a lição da re-eleição de Lula em 2006? Pois são as políticas sociais que pavimentam o caminho de um outro modelo de desenvolvimento e de sua base de legitimação social!

Precisamos, mais que nunca, de um choque de cidadania no Rio de Janeiro – a começar pelo reconhecimento das justas lutas dos trabalhadores informais sem-teto do Centro da cidade!

Ivana Bentes, professora UFRJ
Giuseppe Cocco, professor UFRJ
Rodrigo Guéron, professor UERJ
Tatiana Roque, professora UFRJ
Bárbara Szaniecki, pós-graduanda PUC-Rio
Gerardo Silva, professor UFRJ
Pedro Barbosa Mendes, pós-graduando UFRJ
Leonora Corsini, pesquisadora LABTeC-UFRJ
Carlos Augusto Peixoto – professor PUC-Rio
Márcia Aran, professor UERJ
André Barros, Advogado
Marta Peres, professora UFRJ
Raul Vinhas, professor Unicamp
Damian Krauss, psicanalista
Danton D’Ornellas Silva – Estudante IBMEC
Maria Elisa da Silva Pimentel – professora Unipli
Mariana Patrício Fernandes – pós-graduanda PUC-Rio
Pedro Morthé Kosovski
Ricardo Sapia Campos – sociólogo
Lúcia Ozório - Centro Universitário Celso Lisboa
Vanessa Santos do Canto – jurista
Simone Sobral Sampaio, Professora de Serviço Social/UFSC
Alex Patez Galvão – economista
Luiz Camillo Osorio – Professor PUC-Rio
Pepe Bertarelli – Arquiteto
Fernando Gonçalves – UERJ
Romano, Artista plástico
Cristina Laranja Ribas, artista e pesquisadora
Rafael Rezende – PUC-Rio
DCE - Diretório Central de Estudantes – PUC-Rio
Maria dos Camelôs – MUCA (Movimento Unido dos Camelôs)
Jorge Alberto - Estudante FACHA e Sec. Geral JPT RJ.
Felipe Cavalcanti – Médico
Wallace Hermann - radialista

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Gabeira: a nova UDN se lambuza em dinheiro público

fonte:http://www.rodrigov ianna.com. br/

Fernando Gabeira, o líder da nova UDN, foi pego com a "boca na botija" (como a gente dizia na época do colégio). Gabeira, aquele que deu um verniz "pop" à velha direita moralista, admitiu que usou dinheiro público para pagar a empresa da mulher dele.A banda de música da UDN já teve dias melhores: FHC botou filha no Senado e Gabeira usou grana pra mulherIncrível, não? Lembram do Gabeira com o dedo em riste, espinafrando o Severino Cavalcanti? A imprensa babava de alegria. O Severino é nordestino, tem jeito de matuto.

O Gabeira mora na zona sul carioca. A neo-UDN vibrava com o Gabeira, lembram?"A sua presença na Presidência da Câmara é um desastre para o Brasil e para a imagem do País. Ou Vossa Excelência começa a ficar calado, ou vamos iniciar um movimento para derrubá-lo", babava Gabeira em 2005. Na época, ele andava valente, porque a Globo punha o Gabeira toda noite no JN. Virou "fonte marcada para falar."Esse caso do Gabeira me lembra aqueles padres que pregam a "retidão moral", condenam a "promiscuidade" , mas apalpam uns garotinhos no fundo (sem trocadilho) da sacristia...

Agora, outra observação. Impressão minha, ou essa notícia sobre o Gabeira foi publicada sem nenhum destaque?Não tenho lido muito jornal (problemas de azia), mas dei uma folheada aqui na redação, e não achei quase nada sobre essa história do Gabeira. Parece que a "Veja" publicou alguma coisa no fim-de-semana. No "Estadão", nada na primeira página. Mas, pelo menos, o assunto foi parar no alto da página 7 desta terça-feira.Na versão impressa da "Folha", a notícia quase sumiu. Saiu num "colunão" (pequena nota), na página 8.Imagine se o Gabeira estivesse no PT?Comparem com o tratamento dado ao Espinoza (ex-segurança de Lula) - na página 13 da edição de hoje (23 de junho) da "Folha", o jornal da mosca.A matéria sobre Espinoza é anti-reportagem.

O jornal "acusa" Espinoza de trabalhar na Petrobrás. Não entendi. Ele não é funcionário fantasma, não ganha sem receber. Trabalha lá, simplesmente. Aliás, é de uma empresa terceirizada. Segundo o jornal, ele trabalha na área de comunicação da Petrobrás - e acho que nem é jornalista. Mas a "Folha" é contra o diploma, não? Então, qual o problema com o Espinoza?Por que Gabeira - que usou grana pública pra contratar empresa da mulher - vira "colunão ", e o Espinoza vira manchete no jornal da mosca?Vejam a nota , quase envergonhada, sobre o Gabeira, na "Folha":23/06/2009 -

Gabeira admite que contratou empresa da mulher com verba indenizatóriaO deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) admitiu que usou R$ 20 mil da verba indenizatória em 2004 para contratar a Lavorare Produções, de sua mulher, Neila Tavares, para produzir um site. Segundo Gabeira, na época era sua namorada. "Desde que nossa relação mudou de patamar não a contratei mais com verba da Câmara." http://www1. folha.uol. com.br/folha/ brasil/ult96u585 048.shtml

sábado, 30 de maio de 2009

Dialogo Petista -Socialismo e ação para 2010

Encontro Nacional Para Discutir Medidas de Emergência

DECLARAÇÃO FINAL AOS COMPANHEIROS DO PT

Reunidos dia 16.5.09 na Assembléia Legislativa de SP, 105 delegados de reuniões preparatórias realizadas em 32 cidades do país, respondendo à convocação do Fórum do Diálogo Petista, participaram de Mesas de debate (*) sobre a Reforma Agrária, a Defesa dos Serviços Públicos e as Demissões, e adotaram esta Declaração.


Companheiras e companheiros petistas,

A crise do capitalismo castiga os trabalhadores e povos do mundo – ao mal do desemprego em massa que a OIT estima vai lançar à rua mais 50 milhões este ano, se somam a escalada de guerra no Afeganistão e Iraque, e a epidemia da “gripe suína”.

Como se vê, não serão os “grandes” reunidos no G-20 que irão resolver essa crise para os povos, menos ainda aumentando as dotações bilionárias para o FMI e insistindo no livre-comércio. Ao invés de se associar ao G-20 e acompanhar suas medidas destrutivas, se coloca defender nossas reivindicações históricas.

É a luta dos trabalhadores nos diferentes países quem deve conduzir os governos a adotar medidas para salvar os povos e não os bancos e as multinacionais. Com medidas como as tomadas por alguns governos do continente, retomando o controle sobre os recursos nacionais e estatizando empresas.


Companheiros,

Em nosso país, infelizmente, há oito meses cresce o desemprego. A oscilação especulativa da bolsa de valores não deve enganar ninguém. A realidade já é a de uma recessão que ameaça a força de trabalho e a produção. Mais de 800 mil empregos cortados na virada do ano não foram repostos, sendo que 1,5 milhões de novos empregos precisam ser criados a cada ano.

Em junho vencem as desonerações de IPI dadas aos patrões, o que acontecerá? Nova onda de demissões, mais desoneração? Na verdade, R$ 300 bilhões de desoneração fiscal e crédito subsidiado dado aos patrões não impediram as demissões. Os impostos “desonerados” são embolsados pelos patrões, enquanto a queda da arrecadação e dos repasses federais e estaduais leva a cortes no Orçamento (União, Estados e Municípios), esmagados pelo superávit primário para pagar a dívida!

A conseqüência se vê nos hospitais e creches, na reforma agrária, nas escolas e na ciência e tecnologia, bem como na ameaça à conquistas dos movimentos populares, dos servidores, e ao Piso Nacional dos professores que precisa ser implantado.

Um delegado do Vale do Paraíba aqui presente testemunhou: “o governo toma medidas de emergência para salvar a Votorantin e a Volks, mas não para a reforma agrária, e tem vários assentamentos endividados, sem receber assistência técnica”; uma professora municipal de Fortaleza relatou a “greve de 18 dias pela aplicação da Lei do Piso sancionada por Lula, a qual a prefeita Luizianne se comprometeu na eleição e agora alega ‘que não tinha a crise’”.

Nesta situação, a direção do partido diz que a resposta à crise passa por ampliar o mercado de consumo interno. Mas como ampliá-lo enquanto se aumenta o desemprego, não se faz a reforma agrária e se prioriza o agro-negócio exportador?

A realidade é que as medidas para amenizar a situação do povo – ampliação da Bolsa-Família, extensão do seguro-desemprego, revisão das faixas do IR e o anunciado plano de habitação – se esgotam ao bater no muro da política econômica voltada para o agro-negócio, o salvamento dos especuladores e o pagamento da dívida.


Companheiros,

Até quando a direção do partido assistirá tudo, perdida no “aliancismo” que desfigura o PT, “hipnotizada” pela disputa de 2010? Certo, ninguém quer a volta dos privatizadores. Mas, por isso mesmo, é hora uma política petista contra a crise!

Nós, neste Encontro Nacional, discutimos propostas de ação e Medidas de Emergência para o PT apresentar ao governo federal, e aos governos estaduais e municipais:

• Estabilidade no Emprego - Propomos um Ato de Entrega do Abaixo-Assinado ao presidente Lula pela Medida Provisória de Proibição das Demissões em 26 de Agosto. Dirigimos-nos aos aderentes para formar Comitês, continuar a coleta e realizar eventos e plenárias locais que preparem o Ato.

• Não ao Corte de gastos sociais nos Orçamentos Públicos! Recomposição de todas as verbas sociais. Barateamento do transporte público, gás, água, energia e do abastecimento para famílias de baixa renda.

• Reestatização da Vale, CSN, Usiminas e Embraer; que as Estatais cortem horas-extras e abram concurso; Estatização das fábricas quebradas; Redução da jornada de trabalho s/redução de salários; Todo Pré-Sal para a Petrobras 100% estatal; Recuperação para a União da malha ferroviária.

• Reforma Agrária: Assentamento das famílias acampadas, Assistência técnica obrigatória, Revogação da lei anti-ocupação de FHC; Fortalecimento do Incra, Atualização do Índice de Produtividade e Limitação do tamanho da propriedade; Retirada da MP 458, regularização fundiária só da pequena propriedade; Regularização das terras indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhas.

• Defesa do Meio Ambiente: Direito ao meio ambiente saudável - Não à alteração do Código Florestal.

• Fim do Superávit Primário e revogação da LRF; Centralização do câmbio e Auditoria conjunta da dívida com o Equador, Bolívia, Venezuela e Paraguai.

• Candidaturas Próprias do PT em 2010!

Nós assumimos estes pontos, que inclusive proporemos no terreno do PED, e para as candidaturas do PT em 2010. Nós mandatamos o Fórum do Diálogo Petista a manter a ligação entre nós (publicando a Página Diálogo Petista) e convocar novo encontro em dezembro/janeiro. De imediato, convocamos Reuniões de Volta para apresentar nossas conclusões.

Vamos cobrar a responsabilidade da direção do PT. Nosso objetivo é batalhar junto aos quadros e militantes do PT, as bancadas nas Câmaras, Assembléias e Congresso Nacional para, em discussão com organizações sindicais e populares, ajudar a realizar a mais ampla unidade para defender da crise o povo, os trabalhadores e pequenos produtores.

Companheiros,

Neste momento, chamamos todos aqueles comprometidos com os trabalhadores a juntarem-se aos sindicalistas de várias centrais, parlamentares de diferentes partidos, várias Câmaras Municipais, a engrossar as 20 mil adesões ao Abaixo-assinado a Lula pela MP de Proibição de Demissões, num ATO DE ENTREGA EM BRASÍLIA dia 26 de agosto!

Contato: www.dialogopetista. com.br



PT sempre 13!
Trabalho,Terra e Liberdade

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A POLÍTICA DE COTAS

POR MIRIAM LEITÃO
Teses e truques
Míriam Leitão

Em vez de discutir cota, é melhor investir na educação. Não se deve adotar um
sistema que separa por raça, pois isso criará racismo. Não se pode ferir o
princípio constitucional de que todos são iguais perante a lei. Nunca pode ser
revogado o princípio do mérito acadêmico. Os argumentos se repetem e parecem
ótimos. Escondem a mesma resistência ao tema racial que temos mantido desde a
abolição e as conclusões estão truncadas.
Nunca, os que defendem cotas raciais na universidade propuseram a escolha
entre cotas e qualidade da educação. Não há essa dicotomia. É uma falsidade
para truncar o debate. É fundamental melhorar a educação em todos os níveis.
As cotas raciais não revogam essa idéia.

O princípio da igualdade perante a lei é a pedra que sustenta as sociedades
democráticas e modernas. As ações afirmativas não vão revogá-lo. A igualdade
perante a lei sempre conviveu com o tratamento diferente aos desiguais. Na
área tributária, a regressividade, por exemplo: a alíquota para os mais ricos
é maior. As transferências de renda são para quem tem renda abaixo das linhas
de pobreza e miséria. Mulheres estão sub-representadas na política e, para
tentar vencer isso, há a cota de 30% nas candidaturas. No comércio
internacional, existe o princípio do tratamento diferenciado para os países
mais pobres. Há muito tempo, o Direito convive com os dois princípios, como
complemento um do outro. Um garante o outro. Tratar da mesma forma os
desiguais acentua a desigualdade. O princípio da igualdade perante a lei é
apresentado na discussão como um truque. Não há conflito entre ele e o outro
princípio civilizatório do tratamento diferenciado aos desiguais. Quem quer
defender o princípio da igualdade perante a lei deveria fazer um manifesto
contra, por exemplo, a aberração de prisão especial para criminosos com curso
superior.

O mérito acadêmico tem que ser preservado na formação universitária. Ele não
está sob ameaça com medidas para aumentar o ingresso de negros na
universidade. As avaliações de desempenho de diversas universidades mostram
que não há esse risco. Os adversários das cotas rejeitam as avaliações dizendo
que ainda não foi feito um estudo consistente. O mesmo argumento invalida seus
próprios argumentos de que a qualidade da universidade estará em risco com as
cotas. A universidade americana, que nunca abriu mão do mérito acadêmico, dá
pontuação diferenciada por razões raciais, sociais e até aos esportistas no
ingresso nas escolas.

Não podem ser adotadas políticas que incentivem o racismo. Quem discordaria
disso? Esse argumento usado contra as cotas é um dos mais perversos truques.
As políticas de ação afirmativa não vão criar o racismo. Não se cria o que já
existe. O Brasil tem um fosso enorme, resistente, entre brancos e negros e é
esse fosso que se pretende vencer. Sem o incentivo à mobilidade, o Brasil
carregará para sempre as marcas da escravidão. Ela tem se eternizado por falta
de debate e de políticas dedicadas a superar o problema.

Empresas internacionais adotam há tempos metas para aumentar a diversidade de
seus funcionários, executivos e gerentes. É um objetivo desejável no mundo
multiétnico e que se quer menos racista e menos injusto. Órgãos públicos
americanos usam nas suas contratações mecanismos para aumentar a
representatividade das várias partes da sociedade. Governos diversos usam
incentivos para determinadas políticas como parte dos seus critérios de
seleção de fornecedores nas compras governamentais. Nada há de errado e novo
nessas políticas. O que há é que, pela primeira vez, fala-se em usar esses
mecanismos para promover a ascensão dos negros no Brasil. O país tem um horror
atávico a discutir o tema. Já se escondeu atrás de inúmeros sofismas.

Acreditava estar numa bolha não racial, um país diferente, justo por natureza.
Não existe raça. É fato. Biológica e geneticamente não existe, como ficou
provado em estudos recentes. Isso é mais um argumento a favor das políticas
anti-racistas e não o contrário. Os avanços acadêmicos na área só servem para
mostrar que os negros são mais pobres, têm piores empregos, ganham menos, não
por qualquer incapacidade congênita, mas por falha da sociedade em construir
oportunidades iguais. Isso se corrige com políticas públicas, iniciativas
privadas, para desmontar as barreiras artificiais ao acesso dos negros à elite.
O debate é livre e benéfico. O problema não é o debate, mas alguns dos
argumentos. E pior: os truques. Acusar de promover o racismo o primeiro
esforço anti-racista após 118 anos do fim da escravidão é uma distorção
inaceitável.

Quem gosta do Brasil assim deve ter a coragem de dizer isso. Quem não acha
estranho, nem desconfortável, entrar nos restaurantes e só ver brancos, ver na
direção das empresas apenas brancos, conviver com uma elite tão monocromática,
tudo bem. Deve simplesmente dizer que prefere conservar o Brasil como ele é,
com os brancos e negros mantidos assim: nesta imensa distância social.
PT sempre 13!
Trabalho,Terra e Liberdade

Dilma Rousseff, nossa candidata se consolida

*desde já minha opinião:PT 100%PT.
Puro sangue em chapas.Identidade mais e fisiologismo politico menos.

Dilma Rousseff, nossa candidata se consolida

(artigo publicado no blog do Noblat, em 29 de maio de 2009)

Volto ao tema das eleições de 2010, da tática do PT e da política de alianças, hoje apoiado na pesquisa Vox Populi encomendada pelo partido e publicada essa semana pela mídia e em meu blog. O levantamento, excelente para o PT, nos dá o cenário atual da disputa para a presidência da República e para o governo dos principais Estados do país: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul.

A primeira conclusão é que a candidatura Dilma Rousseff se consolidou não apenas no PT, mas no eleitorado brasileiro. Já passou de 20% e está empatada com as de Aécio Neves e Ciro Gomes. A segunda é que por ser do Sul, do Rio Grande, Dilma tende a crescer e tirar a vantagem que a oposição construiu naquela região do país desde nossa vitória em 2002. A terceira é que ela ainda tem muito para crescer no Norte, Nordeste e em todo o país: 54% dos eleitores ainda não sabem que Dilma é apoiada pelo presidente Lula.

Mas a eleição não é só nacional, é também estadual, e tem importância para consolidarmos nossas alianças não só com o PMDB, que hoje tem 7 governadores, mas também com o PSB, que tem 3, o que nos leva à necessidade de fazermos alianças com esse partido em Estados prioritários ou, no mínimo, construir nestes dois palanques.

Chama atenção na pesquisa a situação de São Paulo, onde o PMDB já apóia o PSDB (que também tem apoio do DEM e do PTB-PPS-PV) e o PT ainda não tem candidato e nem uma aliança. Mesmo não sendo boa sua situação no levantamento, o PT tem uma base eleitoral de 35% dos votos no Estado. Também conta com a disputa entre o demo Gilberto Kassab, e os tucanos Geraldo Alckmin e Aloysio Nunes Ferreira Filho na base do governo Serra, e com a promessa da candidatura única de Orestes Quércia ao Senado, o que não se sustentará.

Neste contexto, Minas Gerais passa a ser a principal questão para nossa vitória em 2010. Seu governador, Aécio Neves, pode ser candidato ao Senado, apoiando seu vice Antonio Augusto Anastásia para o governo; ser vice de José Serra; ou mesmo sair do PSDB, renunciando ao mandato em setembro, dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral. Para nós, do PT, a pior hipótese é sua candidatura a vice-presidente, o que poderia inclusive nos levar a uma aliança em Minas com o PMDB, mesmo não tendo (o PT) a cabeça de chapa. Vale lembrar que hoje, a situação em Minas é de disputa interna no PT, entre duas correntes lideradas por Patrus Ananias e Fernando Pimentel. Apesar do bom resultado nas pesquisas para nós - mas que são encabeçadas por Hélio Costa, senador e ministro peemedebista, nosso aliado - unidos temos mais chances reais de vencer as eleições.

No Rio de Janeiro, caminhamos para a consolidação da aliança com o PMDB de Sérgio Cabral. Temos grandes possibilidades de um palanque forte e com chances de reeleger o governador e eleger um senador e do PT.

Já na Bahia, a situação não é fácil. Se é fato que o governador Jacques Wagner tem todas as condições de se reeleger, há crise na aliança com o PMDB no Estado. Os peemedebistas se aproximaram do DEM, e o PSDB, por sua vez e pela primeira vez na história do carlismo na Bahia, tende a uma aliança com os ex-pefelistas, o que acende uma luz de alarme.

No Rio Grande do Sul, o PMDB está a cavaleiro para construir uma aliança com o PSDB (dado o desgaste de Yeda Crusius); ou com o bloco PDT-PSB-PC do B e com apoio do PTB, que poderia apoiar ou não Dilma Rousseff. O PT fica com uma candidatura forte (mais de 30% de votos), mas isolado para o 2º turno.

Se acrescentarmos a esses cenários as dificuldades que temos com o PMDB no PA, TO e no MS e a oposição deste partido ao governo Lula em SP Paulo, PE, AC, e SC, veremos que apesar da real possibilidade de alianças nos Estados de RJ, GO, RO, PR, AL, SE, CE, PI, MA, AP, AM, ES, PB, RN, será nos estados de Minas, Rio e Bahia que decidiremos o futuro da aliança nacional.

Junto ao PSB, e sem desconsiderar a pré-candidatura de Ciro Gomes, temos grandes chances de consolidar a aliança nacional com coligações nos Estados governados por esse partido: CE, PE e RN; e podemos montar palanques ainda na PB. Agora, tanto para o PSB, como para o PDT, o PC do B, o PR e mesmo o PMDB, contará também a eleição para o Senado e a Câmara dos Deputados, o que para o PT é decisivo e fundamental para a governabilidade no próximo governo.

A preferência nacional de 29% dos eleitores pelo PT permite ao partido eleger uma grande bancada de deputados e senadores. Assim, fica clara a necessidade de priorizar a eleição nacional - a de presidente e de senadores e deputados; e de construir palanques nos Estados, possivelmente tendo o PT que abrir mão de candidaturas legítimas e naturais, em nome do projeto nacional e da maioria no Congresso Nacional.
PT sempre 13!
Trabalho,Terra e Liberdade

terça-feira, 26 de maio de 2009

A responsabilidade social da midia

No Brasil, os empresários de mídia continuam a defender seus interesses como
se estivéssemos nos tempos da velha doutrina liberal (que, de fato, nunca
vivemos). O discurso da liberdade de imprensa e da autoregulação praticado
no Brasil é historicamente anterior ao trabalho da Hutchins Commission, de
1947.

Venício Lima

Há 62 anos, em 27 de março de 1947, era publicado nos Estados Unidos o
primeiro volume que resultou do trabalho da Hutchins Commission - "A free
and responsible press" (Uma imprensa livre e responsável). A Comissão,
presidida pelo então reitor da Universidade de Chicago, Robert M. Hutchins,
e formada por 13 personalidades dos mundos empresarial e acadêmico, foi uma
iniciativa dos próprios empresários e foi por eles financiada.

Criada em 1942 como resposta a uma onda crescente de críticas à imprensa, a
Comissão tinha como objetivo formal definir quais eram as funções da mídia
na sociedade moderna. Na verdade, diante da crescente oligopolização do
setor e da formação das redes de radiodifusão (networks), se tornara
impossível sustentar a doutrina liberal clássica de um mercado de idéias (a
marketplace of ideas) onde a liberdade de expressão era exercida em
igualdade de condições pelos cidadãos. A saída foi a criação da "teoria da
responsabilidade social da imprensa". Centrada no pluralismo de idéias e no
profissionalismo dos jornalistas, acreditava-se que ela seria capaz de
legitimar o sistema de mercado e sustentar o argumento de que a liberdade de
imprensa das empresas de mídia é uma extensão da liberdade de expressão
individual.

Em países europeus, com forte tradição de uma imprensa partidária, no
entanto, a teoria da responsabilidade social enfrentou sérias dificuldades e
a doutrina liberal clássica teve que se ajustar à implantação de políticas
públicas que regulassem o mercado e estimulassem a concorrência.

Responsabilidade Social
A responsabilidade social tem sua origem associada à filosofia utilitarista
que surge na Inglaterra e nos Estados Unidos no século XIX, de certa forma
derivada das idéias de Jeremy Bentham (1784-1832) e John Stuart Mill
(1806-1873).

Nos anos pós Segunda Grande Guerra, a responsabilidade social se constituiu
como um modelo a ser aplicado às empresas em geral e às empresas
jornalísticas estadunidenses, em particular, e começou a ser introduzido
através de códigos de auto-regulação estabelecidos para o comportamento de
jornalistas e de setores como rádio e televisão. O modelo está, portanto,
historicamente vinculado aos interesses dos grandes grupos de mídia.

A responsabilidade social se baseia na crença individualista de que qualquer
um que goze de liberdade tem certas obrigações para com a sociedade, daí seu
caráter normativo. Na sua aplicação à mídia, é uma evolução de outra teoria
da imprensa - a teoria libertária - que não tinha como referência a garantia
de um fluxo de informação em nome do interesse público. A teoria da
responsabilidade social, ao contrário, aceita que a mídia deve servir ao
sistema econômico e buscar a obtenção do lucro, mas subordina essas funções
à promoção do processo democrático e a informação do público ("o público tem
o direito de saber").

Para responder às críticas que a imprensa recebia, a Hutchins Commission
resumiu as exigências que os meios de comunicação teriam de cumprir em cinco
pontos principais:

(1) propiciar relatos fiéis e exatos, separando notícias (reportagens
objetivas) das opiniões (que deveriam ser restritas às páginas de opinião);

(2) servir como fórum para intercâmbio de comentários e críticas, dando
espaço para que pontos de vista contrários sejam publicados;

(3) retratar a imagem dos vários grupos com exatidão, registrando uma imagem
representativa da sociedade, sem perpetuar os estereótipos;

(4) apresentar e clarificar os objetivos e valores da sociedade, assumindo
um papel educativo; e por fim,

(5) distribuir amplamente o maior número de informações possíveis.

Esses cinco pontos se tornariam a origem dos critérios profissionais do
chamado 'bom jornalismo' - objetividade, exatidão, isenção, diversidade de
opiniões, interesse público - adotado nos Estados Unidos e "escrito" nos
Manuais de Redação de boa parte dos jornais brasileiros.

Liberdade de imprensa vs. responsabilidade da imprensa
Analistas estadunidenses consideram que a Hutchins Commision talvez tenha
sido a responsável por uma mudança fundamental de paradigma no jornalismo:
da liberdade de imprensa para a responsabilidade da imprensa. Teria essa
mudança de paradigma de fato ocorrido?

No Brasil, certamente, os empresários de mídia continuam a defender seus
interesses como se estivéssemos nos tempos da velha doutrina liberal (que,
de fato, nunca vivemos). O discurso da liberdade de imprensa e da
autoregulação praticado no Brasil é historicamente anterior à Hutchins
Commission. Basta que se considere, por um lado, a concentração da
propriedade e a ausência de regulação na mídia e, por outro, as enormes
dificuldades que enfrenta até mesmo o debate de temas e projetos com
potencial de alterar o status quo legal.

Um exemplo contemporâneo são as resistências - que já se manifestam - em
relação à realização da 1ª. Conferência Nacional de Comunicações.

As recomendações da Hutchins Commission, se adotadas pelos grupos de mídia
no Brasil, representariam um avanço importante. Para nós, a teoria da
responsabilidade social da imprensa permanece atual, mesmo 62 anos depois.

é Pesquisador Sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política da
Universidade de Brasília - NEMP - UNB

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segunda-feira, 11 de maio de 2009

os verdadeiros piratas -somalis ou de wall street?

Desculpem a moléstia

Segundo a revista Foreign Policy, a Somalia é o lugar mais perigoso do mundo. Mas quem são os piratas? Os mortos de fome que assaltam navios ou os especuladores de Wall Street, que há anos assaltam o mundo e agora recebem multimilionárias recompensas por suas atividades? Por que o mundo premia os que o saqueiam? Por que a justiça é cega de um único olho? Wal Mart, a empresa mais poderosa de todas, proíbe os sindicatos. McDonald’s, também. Por que estas empresa violam, com delinqüente impunidade, a lei internacional?

Quero compartilhar com vocês algumas perguntas, moscas que zumbem na minha cabeça:O zapatista do Iraque, o que jogou os sapatos contra Bush, foi condenado a três anos de prisão. Não merecia, na verdade, uma condecoração?Quem é o terrorista? O zapatista ou o zapateado? Não é culpado de terrorismo o serial killer que, mentindo, inventou a guerra do Iraque, assassinou a um montão de gente, legalizou a tortura e mandou aplicá-la?São culpados os habitantes de Atenco, no México, ou os indígenas mapuches do Chile, ou os kekchies da Guatemala, ou os camponeses sem terra do Brasil, todos acusados de terrorismo por defender seu direito à terra? Se sagrada é a terra, mesmo se a lei não o diga, não são sagrados também os que a defendem?Segundo a revista Foreign Policy, a Somalia é o lugar mais perigoso do mundo. Mas quem são os piratas? Os mortos de fome que assaltam navios ou os especuladores de Wall Street, que há anos assaltam o mundo e agora recebem multimilionárias recompensas por suas atividades?Porque o mundo premia os que o saqueiam?Por que a justiça é cega de um único olho? Wal Mart, a empresa mais poderosa de todas, proíbe os sindicatos. McDonald’s, também. Por que estas empresa violam, com delinqüente impunidade, a lei internacional? Será que é por que no mundo do nosso tempo o trabalho vale menos do que o lixo e valem menos ainda os direitos dos trabalhadores?Quem são os justos e quem são os injustos? Se a justiça internacional realmente existe, por que não julga nunca aos poderosos? Não são presos os autores dos mais ferozes massacres? Será que é porque são eles que têm as chaves das prisões?Por que são intocáveis as cinco potências que tem direito de veto nas Nações Unidas? Esse direito tem origem divina? Velam pela paz os que fazem o negócio da guerra? É justo que a paz mundial esteja a cargo das cinco potências que são as cinco principais produtoras de armas? Sem desprezar aos narcotraficantes, este também não é um caso de “crime organizado”?Mas não demandam castigo contra os senhores do mundo os clamores dos que exigem, em todos os lugares, a pena de morte. Só faltava isso. Os clamores clamam contra os assassinos que usam navalhas, não contra os que usam mísseis.E a gente se pergunta: já que esses justiceiros estão tão loucos de vontade de matar, por que não exigem a pena de morte contra a injustiça social? É justo um mundo em que a cada minuto destina três milhões de dólares aos gastos militares, enquanto a cada minuto morrem quinze crianças por fome ou doença curável? Contra quem se arma, até os dentes, a chamada comunidade internacional? Contra a pobreza ou contra os pobres?Porque os adeptos fervorosos da pena de morte não exigem a pena de morte contra os valores da sociedade de consumo, que cotidianamente atentam contra a segurança pública? Ou por acaso não convida ao crime o bombardeio de publicidade que aturde a milhões e milhões de jovens desempregados ou mal pagos, repetindo para eles dia e noite que ser é ter, ter um automóvel, ter sapatos de marca, ter, ter, e que não tem, não é?E por que não se implanta a pena de morte contra a pena de morte? O mundo está organizado a serviço da morte. Ou não fabrica a morte a industria militar, que devora a maior parte dos nossos recursos e boa parte das nossas energias? Os senhores do mundo só condenam a violência quando são outros os que a exercem. E este monopólio da violência se traduz em um fato inexplicável para os extraterrestres e também insuportável para os terrestres que ainda queremos, contra toda evidência, sobreviver: os humanos somos os únicos especializados no extermínio mútuo e desenvolvemos uma tecnologia da destruição que está aniquilando, de passagem, ao planeta e a todos os seus habitantes.Esta tecnologia se alimenta do medo. É o medo que fabrica os inimigos que justificam o desperdício militar e policial. E em vias de implantar a pena de morte, que tal se condenamos à morte o medo? Não seria saudável acabar com essa ditadura universal dos assustadores profissionais? Os semeadores de pânico nos condenam à solidão, nos proíbem a solidariedade: salve-se quem puder, destruam-se uns aos outros, o próximo é sempre um perigo que se aproxima, olho, cuidado, esse cara vai te roubar, aquele vai te violar, este carrinho de nenê esconde bomba muçulmana e se essa mulher te olha, essa vizinha de aspecto inocente, certamente vai te contagiar com a gripe Porcina.No mundo de cabeça para baixo, dão medo até os mais elementares atos de justiça e de bom senso. Quando o presidente Evo Morales começou a refundação da Bolívia, para que esse país de maioria indígena, deixasse de ter vergonha de olhar no espelho, provocou pânico. Este desafio era catastrófico do ponto de vista da ordem racista tradicional, que dizia que era a unida ordem possível. Evo era, trazia o caos e a violência e por sua culpa a unidade nacional ia explodir em pedaços. E quando o presidente equatoriano Rafael Correa anunciou que se negava a pagar as dívidas não legítimas, a noticia produziu terror no mundo financeiro e o Equador foi ameaçado com terríveis castigos, por estar dando um tão mau exemplo. Se as ditaduras militares e os políticos ladrões foram sempre mimado pelos bancos internacionais, não nos acostumamos já a aceitar como fatalidade do destino que o povo pague o garrote que o golpeia e a cobiça que o saqueia?Mas será que se divorciaram para sempre o bom senso e a justiça? Não nasceram para andar juntos, bem pegadinhos, o bom senso e a justiça?Não é de bom senso, e também de justiça, esse lema das feministas que dizem que se nós, os machos, ficássemos grávidos, o aborto seria livre? Por que não se legaliza o direito ao aborto? Será porque então deixaria de ser o privilegio das mulheres que podem paga-lo e dos médicos que podem cobrá-lo? O mesmo acontece com outro escandaloso caso de negação da justiça e do bom senso: por que não se legalizam as drogas? Por acaso não se trata, como no caso do aborto, uma questão de saúde publica? E o país que tem mais drogados, que autoridade moral tem, que autoridade moral tem para condenar aos que abastecem sua demanda? E por que os grandes meios de comunicação, tão consagrados à guerra contra o flagelo da droga, não dizem nunca que ela provêm do Afeganistão quase toda a heroína que se consome no mundo? Quem manda no Afeganistão? Não é esse um país ocupado militarmente pelo pais messiânico que se atribui a missão de salvar a todos nós?Por que não se legalizam as drogas pura e simplesmente? Não será porque elas dão o melhor pretexto para as invasões militares, além de brindar os mais suculentos lucros aos bancos que de noite trabalham como lavanderias?Agora o mundo está triste porque se vendem menos carros. Uma das conseqüências da crise mundial é a queda da próspera indústria automobilística. Se tivéssemos algum resto de bom senso e um pouquinho de sentido de justiça, não teríamos que celebrar essa boa noticia? Ou por acaso a diminuição de automóveis não é uma boa noticia, do ponto de vista da natureza, que estará um pouquinho menos envenenada e dos pedestres, que morrerão um pouco menos?Segundo Lewis Carroll, a Rainha explicou a Alice como funciona a justiça no país das maravilhas:- Ai você tem – disse a Rainha. Está preso cumprindo sua condenação; mas o processo só vai começar na segunda-feira. E, claro, o crime será cometido no final.Em El Salvador, o arcebispo Oscar Arnulfo Romero comprovou que a justiça, como a serpente, só morde aos descalços. Ele morreu baleado, por denunciar que no seu país os descalços nasciam condenados de atenção pelo delito de nascimento.O resultado das recentes eleições em El Salvador não é de alguma forma uma homenagem. Uma homenagem ao arcebispo Romero e aos milhares que como ele morreram lutando por uma justiça justa no reino da injustiça?Às vezes acabam mal as historias da História, mas ela, a História, não acaba. Quando diz adeus, está dizendo até logo.

Ministro Eros Grau renuncia a vaga de Ministro

Amigos,O fato que noticio se trata de enorme polêmica potencial, que, se houver, será alimentada pelo FEBEAPÁ e pela burrice generalizada. Já antevejo o Merval Pereira dando pitaco em sua enfadonha (e mal escrita) coluna, ataques histéricos do Jabor falando do "aparelhamento petista da Administração", as nobres lideranças da oposição no Congresso arvorando-se em bastiões da moralidade para denunciar "mais um escândalo do governo Lula", enfim, todo esse bolodório a que estamos habituados. Hoje, na mala-direta do César Maia, uma "denúncia" foi feita ao Min. Eros Grau. Vejam só:

"MINISTRO EROS GRAU É 13! É PT! "CURIOSAMENTE SOMOS 13"! "JUNTOS SOMOS 13"!

O Ministro Eros Grau, do STF, renunciou semana passada à sua vaga de ministro no TSE. E deixou uma carta aos funcionários. Nitidamente a carta sinaliza para o número 13, o número do PT. Num ministro da Corte Suprema, que cuida de cada letra ao escrever, não pode ser coincidência. Na carta, ele afirma: "Curiosamente somos 13". E mais à frente reafirma: "Juntos somos 13". Leia a carta com atenção e avalie se um ministro da Corte Suprema pode insinuar simpatia partidária. Veja abaixo."De fato, a carta - anexa - parece insinuar simpatia ao PT. E daí? Trata-se claramente de correspondência íntima, enviada a amigos aos quais o Ministro se dirige pelo primeiro nome, o papel não tem timbre do TSE e é utilizada linguagem afetuosa e informal. A carta nem é assinada pelo "Ministro Eros Roberto Grau", mas, simplesmente, por "Eros Roberto Grau". Essa "denúncia" só teria validade caso, uma vez investido no cargo de juiz, devesse o cidadão perder os direitos políticos, a bem de pretensa neutralidade - o que seria sinal de vivermos num estado totalitário, por conta do quê um cidadão investido em função pública tornar-se-ia uma máquina sem desejos ou vontades a serviço da nação. Como o Ministro ainda está no pleno gozo dos direitos políticos, as simpatias partidárias que expressa em suas correspondências íntimas concretizam, somente, o legítimo exercício de sua liberdade de opinião e consciência. E digo mais: se alguém afrontou o ordenamento jurídico nacional, foi o próprio César Maia, violando a privacidade do Ministro ao expor em seu ex-blog correspondência pessoal enviada por ele a amigos, à qual certamente teve acesso por meios escusos.

Abraços,Gustavo
PT sempre 13!
Trabalho,Terra e Liberdade

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Max Altman: A metafora da gente branca de olhos azuis.

“Essa crise não foi gerada por nenhum negro, índio ou pobre. Essa crise foi feita por gente branca, de olhos azuis.” Estas 21 palavras foram pronunciadas pausadamente pelo presidente Lula em coletiva de imprensa ao lado do primeiro-ministro da Inglaterra, Gordon Brown. Todo mundo viu pela televisão.

Aos que fingem não entender a metáfora “gente branca de olhos azuis”, por Max Altman
Colunistas alvoroçados trataram de enxergar nelas uma ponta de preconceito ou discriminação racial às avessas. Nada disso. A grande imprensa local e internacional tratou de difundir que as expressões de Lula causaram constrangimento às autoridades britânicas. É bem provável. E que diante de tão altos dignitários mancharam a honra e a credibilidade do país além de cobrir o governo brasileiro de vergonha. É o que eles especulam.

Na verdade, a metáfora de Lula, de ínfimos 21 vocábulos, vale mais que um daqueles grandiloquentes e loquazes manifestos. Vou mais além: é a síntese moderna de um tratado de sociologia e política que as massas entendem e que define claramente os lados em disputa no atual cenário internacional.

Hipérbole? A imprensa internacional deste domingo, 29 de março, traduziu à perfeição a “gente branca de olhos azuis”. O conceituado The New York Times, nos dias que antecedem o G-20 de Londres, abriu manchete para a sua longa análise: ‘Capitalismo anglo-americano em julgamento’ Alertou que Obama vai enfrentar um mundo desafiador. “Os americanos viajavam por Brasil, India, China dando lição de moral sobre a necessidade de abrir e desregular mercados. Agora essas políticas são vistas como os réus do colapso”. Por sua vez o Huffington Post, o mais importante jornal da Internet, escancarou: “Lula: nós rejeitamos a fé cega nos mercados”. Acrescentando: “Brazil’s president: White, Blue-eyed Bankers have brought world economy to the knees”, ou, “Presidente do Brasil: Banqueiros de olhos azuis fizeram a economia mundial dobrar os joelhos”. O Financial Times, catecismo dos economistas de todos os quadrantes, estampou: “O comentário de Lula diante de Gordon Brown “ressalta o risco de confronto entre os emergentes e os países mais ricos.” E para que não reste dúvidas, o prestigioso jornal inglês, The Observer trombeteou em título de página dupla: “’Blue-Eyed bankers prompt G20 divide’”, ou seja, “’Banqueiros de olhos azuis’ levam o 20 à divisão’”.

Não precisaria explicar, mas Lula foi explícito na Cúpula de Líderes progressistas reunida em Viña Del Mar, Chile, no dia seguinte, diante de ersonalidades como Joseph Biden, vice-presidente dos Estados Unidos, Gordon Brown, Michele Bachelet, Jose Luiz Zapatero, Cristina Fernández de Kirchner, Tabaré Vázquez e Jens Stoltenberg, premiê da Noruega. O nosso presidente ao ler seu discurso incomodou, constrangeu como gostam de dizer nossos ínclitos comentaristas, o senhor Biden e outra vez o prime minister Brown, defendendo vigorosamente um Estado forte, aduzindo que o mundo está pagando o preço do fracasso de uma aventura irresponsável daqueles que transformaram a economia mundial em um gigantesco cassino. “Desemprego, pobreza, migração, desequilíbrios demográficos e ambientais, são problemas que requerem respostas economicamente coerentes, mas sobretudo responsáveis. Isto não é possível sem Estado forte”. Em outro momento, abandonando o texto escrito e, tendo abraçado o improviso, abriu coração e mente. Registrou a mudança de época vivida em nossa região, fazendo enfática defesa dos governos de esquerda: “A América Latina passa por uma poderosa onda de democracia popular, encabeçada por segmentos historicamente deserdados e marginalizados que encontram lugar em uma sociedade mais solidária. Muitos de nossos países [como a Venezuela, a Bolívia e o Equador] precisaram ser praticamente refundados institucionalmente com a aprovação popular de novas Constituições.”

A grande mídia internacional e local, repercutindo os interesses e os valores da ‘gente branca de olhos azuis’, pode ter reagido incomodada, constrangida, molestada, irritada com a metáfora de Lula. Mas os povos da Ásia, da África, da América Latina e os próprios trabalhadores dos países desenvolvidos da Europa e América do Norte, se e quando tomarem conhecimento da frase, se sentirão contemplados ao sentir no fundo da alma a verdade que ela encerra, porque sofreram e sofrem da exploração, da humilhação, da injustiça social, do desemprego, da pobreza, da miséria.

Estou exagerando? Tomo emprestado trecho da reportagem do jornalista Clovis Rossi da Folha de S. Paulo presente na marcha de protesto contra a crise deste domingo, 29 de março,em Londres, às vésperas da cúpula do G20, sob o lema central “put people first”, as pessoas em primeiro lugar. “O menino negro de olhos negros veste andrajos, segura a pasta executiva símbolo do Tesouro britânico e reclama: “Eles ajudaram a salvar os bancos e o ‘big business’. Agora é hora de que ajudem a salvar a vida de crianças”.

*Max Altman é integrante do Coletivo da Secretaria de Relações Internacionais do PT

sexta-feira, 17 de abril de 2009

O PED E AS ELEIÇÕES DE 2010 II

E cá um sonho de um dia ainda uma ‘chapa’ puro sangue do que é e seja a esquerda. Sem o partido das mil e uma facçõ... ops tendências, o PMDB. Mas há algum governo do qual eles não tomam presença?


As principais forças políticas que irão disputar o governo federal em 2010, com real capacidade de êxito, já estão postas e se travará entre dois projetos: de um lado, o projeto conservador representado pelos partidos de oposição PSDB, DEM e PPS e, do outro lado, as forças progressivas e de esquerda representadas pelo campo democrático-popular que dão sustentação ao governo Lula. No meio desses dois grandes projetos encontram-se, hoje, os Partidos que dão sustentação a esse Governo, destacando-se, entre eles, o PMDB. Esses partidos não possuem projetos de laçar candidaturas próprias à Presidência da República e irão se posicionar a favor de um dos dois projetos apresentados, dependendo da situação econômica e da conjuntura política do momento:

Se o Brasil mantiver sua resistência, como vem mantendo, a atual crise econômica mundial, mantendo os chamados fundamentos econômicos, que são os pilares dessa resistência: aumento real do salário mínimo; melhor distribuição de renda; crescimento do consumo interno; grande volume de reservas; diminuição da taxa Selic com a conseqüente diminuição da dívida pública; controle da inflação, câmbio flexível, crescimento econômico razoável e o Presidente Lula mantiver, em 2010, seu alto nível de popularidade atual, é bem provável que a base de apoio do Governo se manterá unida para as próximas eleições e a provável candidata Dilma Rousseff, que hoje parece ser quase consenso no interior do PT, terá amplas condições de ser eleita. Entretanto, mesmo com essas condições acima prevalecendo, é bem provável que o principal partido de apoio, o PMDB, não virá unido. Estados como São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal muito dificilmente montarão palanque com a Frente Democrática-Popular.

Evidentemente que outros partidos lançarão candidatos também à Presidência da República. À direita, surgirão, como em eleições anteriores, candidatos de pequenos partidos, sem projeção nacional que concorrerão sem nenhuma condição de almejar a vitória e serem eleitos. À esquerda, o Psol deverá lançar a sua provável candidata, Heloisa Helena, apoiado pelo PSTU e, é claro, o eterno candidato da Causa Operária.

No PSDB, tudo indica que o candidato a Presidente da República será mesmo o Governador de São Paulo, José Serra. Nesse sentido, a orientação do partido é encontrar uma saída honrosa para o Governador Mineiro Aécio Neves, também pré-candidato ao Governo Federal pelo PSDB. Essa saída honrosa, que está sendo articulada, será a realização de prévias eleitorais, mais ou menos nos moldes das realizadas pelo PT, mas desde que tenham, a principio, assegurada internamente vitória da indicação de José Serra como o candidato do projeto conservador. Não podemos desconsiderar que essas duas candidaturas ao Governo Federal pelo PSDB tem criado bastante atritos interno nesse partido ao ponto de na reunião da Bancada Federal, para a escolha do seu líder na Câmara, ter-se configurado um bloco de 19 Deputados, nitidamente pró-Aécio Neves, que se articulam como uma tendência dissidente da Bancada, não reconhecendo, por isso, o líder do Partido.
Ao manter as condicionantes econômicas acima apontadas e a alta popularidade do governo Lula, o mais provável é que tenhamos como principal aliado o PMDB com alguns Estados não fazendo palanques com a Frente Democrática-Popular.

As eleições de 2010 no Rio de Janeiro


No Estado do Rio de janeiro, estamos observando no interior do Partido e na grande imprensa, uma discussão envolvendo algumas lideranças do PT acerca do processo de sucessão ao Governo Estadual em 2010. Em nossa opinião, é um debate importante, porém da maneira que vem sendo apresentado, desfocado e equivocado.
É possível o PT lançar candidatura própria ao Governo Estadual em 2010? A resposta a essa pergunta nos remete ao principal desafio colocado para o nosso partido nesse processo e já analisado acima: a construção de um amplo leque de alianças partidárias de sustentação da candidatura do PT à sucessão do Presidente Lula, tendo como núcleo principal o PMDB.

A movimentação do presidente Lula em atrair o PMDB para essa aliança nacional, encabeçada pelo PT, provavelmente com o nome da ministra Dilma Rousseff, é pública e está, até mesmo, incomodando a oposição que também começa a se movimentar no sentido de atrair setores da base parlamentar do governo, como se viu nas eleições das mesas da Câmara e do Senado. Mesmo reconhecendo as diferenciações regionais desse partido, a presença formal do PMDB numa aliança com o PT, estabiliza uma candidatura, e com o apoio do presidente, torna-á competitiva.

Como o apoio do PMDB somente ocorrerá com as condicionantes descritas acima, ou seja, crescimento econômico e popularidade alta de Lula, mesmo assim uma boa parte do Partido apoiará José Serra. Nessas circunstancia, a “costura” dessa aliança passará pelas lideranças do PMDB que mais se aproximaram de Lula no último período, e neste particular, o Governador Sergio Cabral é um dos principais interlocutores do Partido.

Se considerarmos ainda que o PT integra formalmente o Governo Estadual do Rio de Janeiro, não há coerência no lançamento de uma candidatura do Partido nesse momento. Não ajuda na resolução da questão nacional e não dialoga, de forma conseqüente, com sua condição de Partido integrante do Governo Estadual.

Portanto, o lançamento de um nome do PT para a disputa do Governo Estadual, nesse momento, só encontra justificativa em duas situações simultâneas: primeira, a definição de uma tática eleitoral regional desvinculada de um projeto nacional; segunda, a ruptura com o governo estadual, já. Não parece que estas duas situações já estejam colocadas.

Em resumo, esta questão será tratada no seu devido tempo, e seu sentido e fórum decisório estão definidos. O sentido é o fortalecimento da candidatura do PT à Presidência da República, o fórum, o IV Congresso Nacional do PT em março de 2010. Daqui a um ano o PT nacionalmente se reunirá para definir o nome da sua candidatura à Presidência, a política de alianças e a tática eleitoral nos Estados. Os Congressos Estaduais do Partido se darão após esse evento e estarão submetidos às decisões definidas nacionalmente. Neste momento ficará claro se haverá aliança nacional com o PMDB. Caso ela se confirme, o PT/RJ apoiará a reeleição do governador Sergio Cabral, ao contrário, o PT precisará lançar um nome competitivo para essa disputa.

Por essas razões é que sustentamos que somente na hipótese do PMDB não apoiar a candidatura à presidência do PT é que surge, de forma natural, o nome do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Faria como possível candidato. Logo, é legítima a movimentação de dar visibilidade na mídia deste nome por militantes do PT, ao mesmo tempo em que se preserve a posição formal do partido. Entretanto, essa movimentação não pode ter um caráter de oposição ao Governo Sergio Cabral, do qual o PT participa, inclusive com militantes que estão à frente dessa movimentação. Junto a isso, numa eventual situação onde o partido precise apresentar uma candidatura própria, esta não se dará em aliança com Garotinho e Gabeira. O PT, neste caso, buscará alianças à esquerda.
Assim, podemos afirmar que não há uma polarização real entre duas políticas: apoio a Sergio Cabral x candidatura própria. Lindberg poderá ser o candidato a Governador do PT no caso de fracassar nacionalmente a aliança com o PMDB, e mesmo assim terá de superar os problemas com a bancada de vereadores do PT de sua cidade. Neste caso, poderá ser uma candidatura de consenso do PT. Entretanto, queremos deixar bem claro que, neste momento, a nossa política central para o Estado do Rio de Janeiro será manter a aliança construída em 2006 com o Governo de Sergio Cabral.

A chapa para o Senado, o PT/RJ não necessariamente estará em aliança com o PMDB de Sergio Cabral. E não há nenhuma contradição nisso. O candidato do PMDB ao Senado deverá ser Picciani sendo a outra vaga, provavelmente, de algum outro partido aliado à direita. Além disso, não podemos esquecer o nosso acordo com a Benedita da Silva de reservar à primeira vaga para ela concorrer ao Senado. Portanto, necessariamente, por acordo, teremos de ter um candidato ao Senado, sozinhos ou em aliança. Se lançarmos sozinho chapa majoritária ao Senado, o PT, neste caso terá dois candidatos podendo ser, o outro nome, o de Lindberg Farias.

A nossa nominata de candidatos a Deputados Estadual e Federal do Estado do Rio de Janeiro deverá ser a mais ampla possível sem alianças proporcionais com outros partidos. Já a lista dos candidatos do Movimento Mensagem deverá ser acompanhada pela coordenação regional no sentido de o Movimento Mensagem começar a criar identificação própria e não nos dispersarmos em um grande número de candidatos sem chances de serem eleitos, como fizemos em 2008 nas eleições para vereadores no município do Rio de Janeiro e não conseguimos eleger nenhum vereador.

O Movimento Mensagem deverá lançar chapa própria no PED, inclusive para Presidente Nacional do PT com o deputado Federal José Eduardo Cardoso encabeçando a chapa. Entretanto, existe a possibilidade de ser “costurado” um nome com CNB, apoiado por nos, que tenha simpatia por nossas posições. O mais provável, no entanto, é que lancemos o nome de José Eduardo Cardoso.

Em nível Estadual o Movimento Mensagem deverá, em princípio, lançar nome a Presidente Estadual do PT. Entretanto, para viabilizar uma candidatura com condições de vitória, poderemos construir uma candidatura de consenso ou de ampla maioria, não necessariamente do nosso campo, que tenha como compromisso político o respeito ao Estatuto do PT e suas instâncias interna e que não tenha relações sectária com a nossa corrente.

Em nível dos Municípios do interior do Estado o Movimento Mensagem deverá, a medida do possível, buscar mediar alianças com os setores mais próximos e onde formos a maior força ou a que representa melhor essa aliança lançarmos candidatos a Presidente desses Diretórios. No entanto, não podemos perder de vista a importância de como melhor estarmos representado nesses diretórios e, principalmente, em suas executivas. Ser o Presidente não é tudo, embora seja muito importante.

A cidade do Rio de Janeiro, o maior município do Estado, além de ser a sua Capital, se destaca em um texto como este. Aqui na Capital, dado a situação atual no Diretório Municipal, de boas relações internas, principalmente com o atual Presidente, deveremos afirmar que iremos apoiar o lançamento de um candidato afinado com as nossas posições desde que configure ampla maioria, podendo esse candidato ser do nosso campo ou não.

No PT: Virar à esquerda! Reatar com o Socialismo!


O Diretório Nacional do PT convocou o PED (Processo de Eleições Diretas) das instâncias partidárias para 22 de novembro de 2009. Neste dia serão eleitas as direções zonais, municipais, estaduais e nacional do PT. Nesta mesma data os filiados do PT também elegerão os delegados para o 4º Congresso do PT. O principal ponto da pauta do Congresso nacional - e dos estaduais - será a definição do Programa de Governo para as eleições de 2010 e as respectivas candidaturas.
Com objetivo de abrir a discussão com todos os companheiros do partido apresentamos uma proposta de reorientação do partido como base para uma Tese para o PED e ao 4º Congresso do Partido dos Trabalhadores.

Virar à esquerda!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

PT em resposta ao PSDB por Max Altmann

Vamos então ao debate ideológico, senhor vice-governador Goldman

Dizendo-se estar convencido que a sociedade brasileira precisa travar o debate ideológico com vistas ao pleito presidencial de 2010, o vice-governador do estado de São Paulo, engº Alberto Goldman, avançou alguns conceitos, como contribuição sua a esse debate, em artigo publicado recentemente na Folha de S. Paulo. Faz muito bem o sr. Goldman, importante figura do PSDB, em assim agir. E como consideramos crucial este enfrentamento ideológico, trazemos também a nossa colaboração.

As pessoas mudam ao longo da vida, é normal. Muda a cabeça, mudam as circunstâncias, mudam os métodos. E muitos mudam de lado. O vice-governador é hoje um bravo defensor do capitalismo em sua atual fase neoliberal. Segundo ele “o sistema capitalista sofre crises cíclicas e que a atual foi precipitada pelos riscos assumidos pelos mercados financeiros e agravada por deficiências na regulamentação das atividades exercida pelas agências governamentais de controle”. Ou seja, bastam alguns remendos que tudo volta à normalidade. E acrescenta “ a superação da crise ... passa por uma reforma profunda das atividades financeiras em escala global e na redefinição de atividades econômicas nos países desenvolvidos, rompendo-se as cadeias de subsídios e ineficiências.”

A visão dos socialistas é outra, sr. vice-governador: a crise não se resolverá com medidas administrativas ou técnicas. A crise está umbilicalmente atrelada ao sistema capitalista de produção e distribuição, com todas as suas terríveis consequências. Achamo-nos diante de uma crise geral capitalista, de magnitude comparável àquela que estalou em 1929 e à chamada ‘Grande Depressão’ de 1873-1896. Uma crise integral, civilizacional, multidimensional, cuja duração, profundidade e alcance geográfico seguramente haverá de ser de maior envergadura que as que a precederam.

Suas causas estruturais são de crise de superprodução e ao mesmo tempo de subconsumo. Não por acaso estalou nos Estados Unidos, porque este pais há mais de trinta anos vive artificialmente da poupança externa, do crédito externo e isto tem limite: as empresas financeiras e industriais se endividaram acima de suas possibilidades; o Estado também se endividou acima de suas possibilidades para fazer frente a duas guerras sem aumentar os impostos; os cidadãos são sistematicamente estimulados, por meio da publicidade comercial, a endividar-se para sustentar um consumismo exorbitante, irracional, perdulário e desperdiçador.

O sr. Goldman acusa a resolução política do Diretório Nacional do PT de 10 de fevereiro de simplista e de se recusar a fazer uma análise profunda da realidade. A par de reveladora da arrogância dos tucanos, a acusação afronta os fatos. A resolução, apesar de não ser um ensaio de economia política, dedicou dez parágrafos, quase mil palavras ao exame da situação econômica internacional. Defendendo desabridamente que o mundo experimentou de 2003 a 2007 – percebam como fez coincidir com o início do mandato de Lula - o mais intenso ciclo de expansão econômica da história, tendo o Brasil se beneficiado da globalização da economia mundial, porém com bem menos eficiência que outros países, o dirigente tucano pinçou a frase da Resolução:
“Estamos diante de uma crise do sistema capitalista como um todo, na forma neoliberal que assumiu nos últimos 30 anos” e desafia. “É isso mesmo?”

É exatamente isso, sr. Goldman. E a Resolução foi precisa em responder antecipadamente a sua provocação. Cito textualmente: “A economia neoliberal se caracterizou por um novo processo de concentração de renda nas camadas mais ricas e pelo estímulo ao consumo das camadas mais pobres e das classes médias através do sistema financeiro, que lhes emprestava recursos impagáveis; por deixar a regulação da economia nas mãos dos agentes privados do mercado, em especial os grandes bancos, as grandes corporações e os grandes especuladores; pelo enfraquecimento do papel do Estado, retirando-se da regulação da economia e dos investimentos produtivos e sociais; pela onda de privatizações que pôs em mãos privadas setores estratégicos da economia; pela imposição da liberdade de comércio internacional, ao mesmo tempo em que se mantinham medidas protecionistas no território dos países mais ricos.” Que tal, sr. vice-governador? Nada simplista e suficientemente concisa e profunda.

O octanato tucano foi marcado pelo enfraquecimento do Estado, pelas privatizações, pelo desemprego, pela desigualdade social, pelo arrocho salarial, pelo desconhecimento e criminalização dos movimentos sociais, pelo agravamento da segurança pública, pela deterioração do ensino e da saúde pública. Neste período prevaleceram no cenário político e econômico as forças conservadoras e neoliberais que implementaram no Brasil as mesmas políticas que estão na raiz da crise mundial em curso, tão estoicamente defendidas pelo sr. Alberto Goldman.

Cabe ressaltar ainda duas passagens do artigo que dizem mais respeito a um aspecto ideológico e a uma verdade histórica, que o vice-governador, por sua formação, não poderia ignorar e que estão a merecer rigoroso reparo. O sr. Goldman escreve que “acreditar, como faz o PT, que a crise significa um tiro de morte no sistema de produção capitalista é uma aposta que não possui nenhuma aderência à realidade.” É falso atribuir isto à direção do PT, porque seus membros não são néscios o bastante para desconhecer que o capitalismo não cai por si só e não pode ser derrubado se não existe uma força social que o faça ruir. Esta força não está presente sequer nas sociedades mais desenvolvidas, inclusive os Estados Unidos.

Em outra passagem diz que “ao PT, que se coloca como arauto de um projeto de ‘horizonte socialista’ ... o que o PT pretende alcançar? Qual é o outro modelo econômico-social de que fala o PT? É a volta à economia centralizada e seus mirabolantes e ineficazes planos qüinqüenais com a presença esmagadora do Estado?” Sr. Goldman, qualquer estudante de História sabe que há uma distância abissal entre a realidade objetiva e subjetiva da Rússia do começo do século XX com a realidade do Brasil do princípio do século XXI. Portanto, ainda que o PT quisesse, não conseguiria, nem por milagre, reproduzir aquela realidade. Parodiando o velho Marx, repeti-la seria uma farsa. Quanto aos planos qüinqüenais, reconhecem todos os historiadores econômicos sérios, o 1º Plano Quinquenal (1928-1932), longe de ter sido mirabolante e ineficaz, tirou a URSS, apesar do alto custo humano, do enorme atraso econômico com taxas anuais de crescimento superiores às dos Estados Unidos do final do século XIX e começo do século XX, e que o 2º Plano Quinquenal (1933-1937) lançou nada menos que as bases materiais para enfrentar e derrotar, ao preço de milhões de denodados combatentes, a máquina de guerra nazista na Segunda Guerra Mundial.

O confronto em 2010 será entre duas visões e dois projetos absolutamente distintos. As forças de esquerda e do progresso querem um Estado forte, capaz de ordenar e planejar e um projeto que continue reduzindo a desigualdade social e as disparidades regionais, que gere emprego e distribua renda, que universalize a educação, a saúde e a seguridade social públicas, que aja no combate eficaz ao crime, que trabalhe pela democratização dos meios de comunicação, que prossiga em sua política externa independente, em defesa da soberania nacional e da autodeterminação dos povos, da integração da América Latina e em prol da solução negociada, pacífica e justa dos conflitos internacionais. O povo brasileiro não vai permitir volta ao passado.

Max Altman

13 de abril de 2009
PT sempre 13!
Trabalho,Terra e Liberdade